Membros do governo dos Estados Unidos incluíram por engano um jornalista em um grupo de mensagens no aplicativo Signal composto por funcionários do alto escalão da administração de Donald Trump, permitindo que ele acessasse planos de guerra ultrassecretos. O caso aconteceu com o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, que revelou a história na segunda-feira (24).
De acordo com ele, seu celular recebeu uma solicitação do mensageiro no último dia 11, de um usuário chamado Michael Waltz. Ao aceitar o convite, o repórter passou a acompanhar conversas envolvendo pessoas como o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o vice-presidente, JD Vance.
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Inicialmente, Goldberg achou que se tratava de alguma brincadeira, mas bastou acompanhar o noticiário, nos dias seguintes, para descobrir que as mensagens eram verídicas. Os ataques contra os rebeldes Houthis no Iêmen, no dia 15 de março, haviam sido discutidos no grupo e o convidado por engano acompanhou tudo.
“Eu não conseguia acreditar que a liderança da segurança nacional dos Estados Unidos iria comunicar no Signal sobre planos de guerra iminentes. Eu também não conseguia acreditar que o conselheiro de segurança nacional do presidente seria tão imprudente a ponto de incluir o editor-chefe do "The Atlantic" em tais discussões com altos funcionários dos EUA”, relatou o jornalista.
O que havia nas mensagens?

Segundo o repórter incluído por engano em um grupo de mensagens do governo Trump, os participantes do chat discutiram assuntos confidenciais como uma ofensiva militar no Iêmen, de onde os Houthis bloqueiam rotas marítimas no Mar Vermelho. Eles são aliados do Hamas e do Irã, e têm atacado atacado Israel desde o início dos conflitos mais recentes na Faixa de Gaza.
Detalhes sobre alvos e a descrição das operações foram compartilhadas no bate-papo, com algumas mensagens reproduzidas pela publicação, exceto aquelas que pudessem colocar em risco os agentes da inteligência americana e militares envolvidos na ação. Nas conversas, também havia críticas às nações europeias.
“Eu apenas odeio salvar a Europa de novo”, disse o vice-presidente dos EUA em uma das mensagens, reforçando a visão da administração Trump sobre benefícios obtidos pelo continente a partir das missões americanas no exterior. “Eu compartilho totalmente do seu desprezo pelos aproveitadores europeus. É patético”, complementou Hegseth, na sequência.
Goldberg disse que o grupo no Signal denominado “Houthi PC Small Group”, composto por 18 pessoas, recebeu uma série de emojis após o ataque aos Houthis, comemorando o sucesso dos bombardeios no Iêmen. Ele também flagrou novas discussões sobre a Europa, inclusive citando Trump.
Violação de leis

Como destaca o editor da Atlantic em seu relato, a troca de informações sigilosas por meio de canais não autorizados pelo governo, como a realizada no Signal, pode ter violado uma série de leis americanas. Além disso, o grupo colocou a segurança nacional em risco ao usar o mensageiro para planejar operações militares.
Para a troca de informações confidenciais, autoridades dos EUA geralmente utilizam a Rede Secreta de Roteadores de Protocolo de Internet (SIPRNet), um sistema seguro desenvolvido pelo governo. Outra possibilidade é a discussão de tais assuntos somente em reuniões presenciais, como lembra o Mashable.
Questionado sobre a presença do jornalista no grupo do governo, Trump comentou que não sabia nada a respeito do tema, mas logo após fez postagens na plataforma Truth Social ridicularizando a revista. Já o jornal The New York Times classificou a história como uma “falha excepcional” de segurança.
Segundo Goldberg, a sua presença no chat aparentemente não foi notada por ninguém, já que nenhum dos participantes o questionou sobre a sua identidade e ele continuou acompanhando as conversas até sair do grupo por conta própria, alguns dias depois de ter sido adicionado por engano.
E você, já participou de algum grupo no WhatsApp ou outro app de mensagem por engano e mesmo assim continuou acompanhando o bate-papo? Deixe seu comentário nas redes sociais do TecMundo.
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